terça-feira, 15 de novembro de 2016

Senador catarinense eleito por Rondônia tem bens bloqueados pela Lava Jato

 

Valdir Raupp nasceu em São João do Sul, em 1955

Pouca gente sabe, mas o senador eleito por Rondônia Valdir Raupp, é catarinense. Ele nasceu em São João do Sul, na divisa entre Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.  Migrou para Rondônia em 1977, época em que aquele estado praticamente virgem atraiu multidões para o garimpo. O Governo Federal doava terras para quem quisesse, e Raupp se instalou na cidade do interior Cacoal, onde se elegeu vereador. Dois anos depois tornou-se o primeiro prefeito de Rolim de Moura em 1988, reeleito em 1992.

Pois Valdir Raupp teve nesta semana seus bens confiscados e bloqueados pela Justiça, onde ele é réu na Operação Lava Jato desde que seu nome foi citado por um doleiro como membro do esquema da Petrobrás.

Raupp fez carreira política nos confins brasileiros, onde os costumes e a cultura ainda com heranças do Brasil-Colônia facilitou o cabresto de votos e o coronelismo encabeçado por Raupp e outros sulistas que se deram bem em terra de ninguém, como Ivo Cassol, Acir Gurgacz, Jorge Teixeira e outros tantos.

Em 2011, eu estava em Porto Velho quando soube que Raupp iria oferecer mais uma vez seu evento anual, um jantar especial para jornalistas, onde foram distribuídos brindes como TVs, bicicletas, geladeiras. Além do jantar na faixa, é claro. Raupp manteve esse hábito por muito tempo, tornando os jornalistas da capital seus compadres.

Em 1990, Raupp candidatou-se a governador de Rondônia pelo PRN. Obteve a 2ª colocação e iria disputar o segundo turno contra o candidato Olavo Pires, eu acabou sendo assassinado dias antes do pleito. Para o lugar de Olavo foi alçado Osvaldo Piana, que acabou eleito, vencendo Valdir Raupp.

Em 94, Raupp tentou o Governo novamente e desta vez foi eleito, no segundo turno. Tentou reeleger-se em 1998, mas perdeu para José Bianco no 2º turno. Em 2002, elegeu-se senador por Rondônia.

Raupp surgiu entre os investigados da Operação Lava Jato, quando em de março de 2015 o ministro Teori Zavascki autorizou a abertura de investigação e mais tarde a quebra do sigilo telefônico contra o senador. Raupp havia sido citado pelo doleiro Alberto Youssef no esquema de corrupção da Petrobrás.

Em 5 de setembro de 2016, a Polícia Federal finalmente apontou indícios de que Valdir Raupp recebeu propina das empresas que construíram a usina de Belo Monte, no Pará, por meio de doações legais, segundo relatório que integra inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal. Um dos indícios é o volume de contribuições que o partido recebeu das empresas que integram o consórcio que construiu a hidrelétrica: foram R$ 159,2 milhões nas eleições de 2010, 2012 e 2014. A denúncia foi apresentada em seguida.

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