Respeito aos suicidas
Acredito que nenhum suicídio ocorre de forma abrupta, ao
acaso de um momento impensado, no reflexo instintivo de um momento isolado de
terror intrínseco. Cada morte desse tipo é resultado de muita reflexão
racional, que se acumula no passar dos anos, diante da nítida conclusão de que
não há Deus nenhum e que tanto o homem quanto a mulher são seres pequenos,
covardes e incapazes.
Se por acaso houver mesmo um Deus, é impotente e irrelevante.
Mas, sendo ele só um expectador das tragédias que não evita – por que não quer
ou porque não pode – ele é desnecessário e, portanto, não existe.
Naquele período da humanidade entre 300 A/C e o ano zero,
a filosofia pessimista de Epicuro dominou o mundo que, enfim, descobriu que não
havia Deus nenhum. No entanto, ainda que habitado predominantemente por ateus, nem
por isso se transformou num lugar melhor. O efeito indesejado foi o Hedonismo e
sua vica louca, La Dolce Vita, a falt de fé que nos faz cometer horrores sem
culpa nenhuma e sem medo de um inferno.
Suicídio é plano B, e devia ser direito previsto em Lei. O sistema selvagem que impõe suas condições cada vez mais desumanas de trabalho e renda, ainda impede que seus operários optem por fugir de um mundo sem volta e sem conserto. Viva absorvento seus agrotóxicos, privado das delícias, sem acesso a prazer nenhum que não seja o da própria libido, sem alternativa, essa é a Lei.