Tira-teima: Pequeno Segredo é mesmo melhor que Aquarius
Os
petralhas que me desculpem, mas Pequeno Segredo é muito melhor do que Aquarius.
Hoje pela manhã (sim, de manhã!) pude conferir o filme do catarinense David
Shurmann, indicado para representar o Brasil na disputa do Oscar. O filme ainda
nem chegou aos cinemas. A première foi uma gentileza da assessoria da produtora
que convidou alguns jornalistas para conhecer a obra antecipadamente. Fui com a Domenique, esposa, amiga e companheira.
No
jargão da profissão, esses presentes para jornalistas se chamava “toquinho”, como
aprendi lá nos anos 90. Mas não percebi depois essa expressão como algo regular. Acho que era mesmo coisa da cabeça do Planella. (Fotojornalista Fernando Planella). Meus
agradecimentos ao pessoal da PalavraCom.
Eu
fiz questão de conferir de perto a polêmica que se instaurou depois que
Aquarius foi preterido em favor do Pequeno Segredo. E ainda havia outras obras
perfeitas numa lista de 16 filmes nacionais, sabendo que só tem uma vaga.
Apenas um filme por País pode ser indicado. Nise, no Coração da Loucura, e até o filme do José Aldo - Mais Forte que o Mundo - são muito bons mesmo.
A
indicação, para quem não sabe, é feita por gente do Governo Federal. Algum setor
qualquer do Ministério da Cultura, ou algo do gênero, mas irrelevante. Não são
técnicos no assunto, nem notáveis críticos de cinema. Prova disso foi que em
2011 o indicado foi “O Palhaço”, um filme horrível, tenebroso, de muito mau
gosto. Palhaço foi quem assistiu, como eu, por exemplo.
Aquarius
entrou na disputa como reverência de um dos grupos da atual polarização
política nacional, uma resposta, um agradecimento pelas manifestações pró-Dilma
feita por parte do elenco, direção, produtores.
Pronto.
Foi o suficiente para se levar a disputa do Oscar – ou a vaga para se entrar na
fila – para o campo minado da política brasileira. Conseguir a indicação de
Aquarius seria uma vitória política da tal esquerda nacional. Tão bobagem que
soa como comédia, piada sem graça.
Qualquer
avaliação técnica reconheceria a gritante diferença entre as duas obras. E a
pertinência de se colocar Pequeno Segredo como representante da vontade
nacional nesse momento. Aquarius se refere a algo irrelevante, a tal
especulação imobiliária. Tão desinteressante quanto quase impronunciável, termo
específico demais para se popularizar num rompante. Para quem desejar levar essa discussão à tona
numa instância mais adequada, que se refira à categoria “Melhor Documentário”,
fique à vontade, leitor.
Pequeno
Segredo tem o DNA catarinense, não só pelo trabalho do garoto Shurmann, que cortou
da própria carne para nos oferecer uma obra de arte. As cenas gravadas em
Floripa, as crianças que estudam no Colégio Catarinense, a personagem que vai à
Nova Zelândia e se apresenta: “de que tribo no Brasil você é? Somos da tribo de
Florianópolis”.
Americanos
adoram filmes extraídos de histórias verdadeiras. Quem acompanha Oscar de perto
pode confirmar. Só nas últimas edições foram vários verídicos, informação que
se embrenha no subconsciente do espectador, um algo a mais na interpretação da
película, afinal a arte imita a vida, e a vida, imita a arte.
Por
fim, Pequeno Segredo fez a Domenique chorar. Fui com a esposa assistir numa
sessão às 10h, e nos valeu o dia. Depois do filme, ainda rolou uma conversa com
o pessoal da Ocean, uma das produtoras que assinam o longa.
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