terça-feira, 8 de novembro de 2016

Tira-teima: Pequeno Segredo é mesmo melhor que Aquarius

 Os petralhas que me desculpem, mas Pequeno Segredo é muito melhor do que Aquarius. Hoje pela manhã (sim, de manhã!) pude conferir o filme do catarinense David Shurmann, indicado para representar o Brasil na disputa do Oscar. O filme ainda nem chegou aos cinemas. A première foi uma gentileza da assessoria da produtora que convidou alguns jornalistas para conhecer a obra antecipadamente. Fui com a Domenique, esposa, amiga e companheira.

No jargão da profissão, esses presentes para jornalistas se chamava “toquinho”, como aprendi lá nos anos 90. Mas não percebi depois essa expressão como algo regular. Acho que era mesmo coisa da cabeça do Planella. (Fotojornalista Fernando Planella). Meus agradecimentos ao pessoal da PalavraCom.

Eu fiz questão de conferir de perto a polêmica que se instaurou depois que Aquarius foi preterido em favor do Pequeno Segredo. E ainda havia outras obras perfeitas numa lista de 16 filmes nacionais, sabendo que só tem uma vaga. Apenas um filme por País pode ser indicado. Nise, no Coração da Loucura, e até o filme do José Aldo - Mais Forte que o Mundo - são muito bons mesmo.

A indicação, para quem não sabe, é feita por gente do Governo Federal. Algum setor qualquer do Ministério da Cultura, ou algo do gênero, mas irrelevante. Não são técnicos no assunto, nem notáveis críticos de cinema. Prova disso foi que em 2011 o indicado foi “O Palhaço”, um filme horrível, tenebroso, de muito mau gosto. Palhaço foi quem assistiu, como eu, por exemplo.

Aquarius entrou na disputa como reverência de um dos grupos da atual polarização política nacional, uma resposta, um agradecimento pelas manifestações pró-Dilma feita por parte do elenco, direção, produtores.

Pronto. Foi o suficiente para se levar a disputa do Oscar – ou a vaga para se entrar na fila – para o campo minado da política brasileira. Conseguir a indicação de Aquarius seria uma vitória política da tal esquerda nacional. Tão bobagem que soa como comédia, piada sem graça.

Qualquer avaliação técnica reconheceria a gritante diferença entre as duas obras. E a pertinência de se colocar Pequeno Segredo como representante da vontade nacional nesse momento. Aquarius se refere a algo irrelevante, a tal especulação imobiliária. Tão desinteressante quanto quase impronunciável, termo específico demais para se popularizar num rompante. Para quem desejar levar essa discussão à tona numa instância mais adequada, que se refira à categoria “Melhor Documentário”, fique à vontade, leitor.

Pequeno Segredo tem o DNA catarinense, não só pelo trabalho do garoto Shurmann, que cortou da própria carne para nos oferecer uma obra de arte. As cenas gravadas em Floripa, as crianças que estudam no Colégio Catarinense, a personagem que vai à Nova Zelândia e se apresenta: “de que tribo no Brasil você é? Somos da tribo de Florianópolis”.

Americanos adoram filmes extraídos de histórias verdadeiras. Quem acompanha Oscar de perto pode confirmar. Só nas últimas edições foram vários verídicos, informação que se embrenha no subconsciente do espectador, um algo a mais na interpretação da película, afinal a arte imita a vida, e a vida, imita a arte.

Por fim, Pequeno Segredo fez a Domenique chorar. Fui com a esposa assistir numa sessão às 10h, e nos valeu o dia. Depois do filme, ainda rolou uma conversa com o pessoal da Ocean, uma das produtoras que assinam o longa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário