Uma gota de justiça naquele canto esquecido do Brasil
Eu
estava chegando em Porto Velho, Rondônia, em abril de 2011, quando um casal de
extrativistas e defensores dos pequenos produtores foram assassinados no Pará,
bem perto dali. Eu acompanhei a repercussão pela imprensa e entre as pessoas
sob um ponto de vista privilegiado, convivendo num ambiente muito conhecedor
daquela realidade, conversando com pessoas que sempre tinham alguma história
pra contar sobre os assassinatos de agricultores.
Pois
nessa semana, o homem apontado como responsável por aquele duplo homicídio foi
enfim condenado a 60 anos de prisão. José Rodrigues Moreira enfrentou seu
primeiro julgamento em Marabá, em 2013, e acabou sendo absolvido pelo júri
popular. Mas o Ministério Público cancelou a decisão do júri levando o caso até
a capital, Belém.
As
vítimas foram José Cláudio Ribeiro da Silva (o Zé Cláudio) e Maria do Espírito
Santo, mortos depois de sofrerem perseguições e ameaças. O casal insistia na
preservação do Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, que ainda é
mantido por extrativistas que trabalham de forma sustentável, em Nova Ipixuna,
no Pará.
Nesse
mesmo julgamento, Lindonjohnson Silva Rocha, irmão de José, e Alberto
Nascimento também foram condenados como co-autores do crime. Lindonjohnson foi
condenado a 42 anos e está foragido desde novembro de 2015, assim como José. Já
Alberto, condenado a 43 anos de prisão, cumpre pena no hospital de custódia e
tratamento psiquiátrico, em Santa Izabel, nordeste do estado.
Lembro
que naqueles primeiros 11 anos do novo século, 72 pessoas haviam sido mortas
somente em Rondônia por conta do interesse sobre a terra e a madeira. As
vítimas eram geralmente agricultores que denunciavam o roubo de madeira da
Amazônia, comércio financiado pelos poderosos coronéis daquele Brasil que
parecia saído dos livros do período colonial.
Nenhum comentário:
Postar um comentário