quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Uma gota de justiça naquele canto esquecido do Brasil


Eu estava chegando em Porto Velho, Rondônia, em abril de 2011, quando um casal de extrativistas e defensores dos pequenos produtores foram assassinados no Pará, bem perto dali. Eu acompanhei a repercussão pela imprensa e entre as pessoas sob um ponto de vista privilegiado, convivendo num ambiente muito conhecedor daquela realidade, conversando com pessoas que sempre tinham alguma história pra contar sobre os assassinatos de agricultores.

Pois nessa semana, o homem apontado como responsável por aquele duplo homicídio foi enfim condenado a 60 anos de prisão. José Rodrigues Moreira enfrentou seu primeiro julgamento em Marabá, em 2013, e acabou sendo absolvido pelo júri popular. Mas o Ministério Público cancelou a decisão do júri levando o caso até a capital, Belém.

As vítimas foram José Cláudio Ribeiro da Silva (o Zé Cláudio) e Maria do Espírito Santo, mortos depois de sofrerem perseguições e ameaças. O casal insistia na preservação do Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, que ainda é mantido por extrativistas que trabalham de forma sustentável, em Nova Ipixuna, no Pará.

Nesse mesmo julgamento, Lindonjohnson Silva Rocha, irmão de José, e Alberto Nascimento também foram condenados como co-autores do crime. Lindonjohnson foi condenado a 42 anos e está foragido desde novembro de 2015, assim como José. Já Alberto, condenado a 43 anos de prisão, cumpre pena no hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, em Santa Izabel, nordeste do estado.


Lembro que naqueles primeiros 11 anos do novo século, 72 pessoas haviam sido mortas somente em Rondônia por conta do interesse sobre a terra e a madeira. As vítimas eram geralmente agricultores que denunciavam o roubo de madeira da Amazônia, comércio financiado pelos poderosos coronéis daquele Brasil que parecia saído dos livros do período colonial.

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