segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Era meu nome na Folha de São Paulo?


Em 2013 ganhei meu terceiro prêmio do Instituto Guga Kuerten numa reportagem sobre um homem que nasceu cego, e então com 64 anos, que já tinha lido mais de 2 mil livros. Ivo de Jesus, era seu nome.

Abandonado pela mãe quando tinha 3 anos, cresceu num orfanato de freiras. Anos depois, o local se transformou numa casa para idosos, e Ivo seguiu como morador mais antigo. Ali ficou simplesmente lendo em braile a vida inteira. Nunca se casou, nunca trabalhou fora.

Ia sozinho até a biblioteca pública, mas logo leu todo o acervo em braile. Foi preciso se buscar novas obras em São Paulo. Eu ganhei o prêmio com essa reportagem, objeto de desejo de qualquer jornalista. Mas nos todos perdemos o Ivo de Jesus, que morreu, diabético, dois meses depois.


 A história chegou na Folha de São Paulo, que reconheceu meu trabalho citando gentilmente meu nome nas páginas daquele que já foi o maior e melhor jornal da América Latina.

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