segunda-feira, 14 de maio de 2018

O último Poema


Epicuro, Kerouac e Leminski.
Fora daquela redação, eu não passo de um adolescente deprimido, preso a algumas recordações, e lutando contra meus demônios.
Não consegui ficar com as mulheres que eu quis de verdade, em compensação, fiquei com todas as outras. Tentei evoluir meu xadrez, mas só venci os adversários fracos. Os fortes mesmo eu nunca venci.
Nem o Nobel de Literatura, nem a academia brasileira de letras. Porque nem mesmo um livro eu publiquei.  E o segundo livro eu não escrevi.
Não tive carro, casa própria e cartão de crédito. Nunca joguei basquete, soltei pipa nem pesquei um peixe.
Salvei uma criança no mar, gabaritei português, entrevistei o presidente.  Mas ele ainda não era o Presidente.
Subi no palco de um teatro lotado, me encantei com Epicuro, Kerouac, Leminski.
Fui aplaudido, vaiado, aplaudido, vaiado.
Dormi no relento, almocei vento.
Me masturbei a vida inteira.
Perdi a fé bem cedo.
Bem feito. Bem feito.

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